quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Contagem regressiva: professores podem entrar em greve

O ano letivo para os alunos da rede pública de ensino começa hoje e já começa com muitas polêmicas referentes a falta de professores, remoção dos mesmos, à merenda escolar e com ameaça de greve que será deflagrada  dia  8 de março se o Governo não apresentar uma proposta que atenda às reivindicações da categoria.
Segundo Washington Dourado, diretor do Sindicato dos Professores,  em abril  do ano passado,foi acordado com o Governo que haveria a reformulação do quadro de carreira, convocação dos concursados, o plano de saúde, entre outros. “ São várias reivindicações que não foram cumpridas: o Plano de Saúde que seria apresentada até 30 de julho de 2011 e implantada em janeiro de 2012;  a reestruturação do nosso Plano de Carreira que teria seu projeto de lei elaborado até setembro de 2011 e sua implantação feita em três etapas, sendo a primeira em março de 2012; nem mesmo a ‘Mesa Permanente de Negociação’ para discussão dos demais itens da pauta teve continuidade. O Governo não cumpriu nenhum dos prazos que ele mesmo estipulou”, descreve Washington. Acrescenta ainda: “O GDF teve tempo mais que suficiente para dar uma resposta e a categoria deu diversas provas de tolerância, demonstrando sua disposição para negociar. Portanto, o dia 8 de março é o último prazo para o Governo rever seu descaso com os professores e honrar a palavra empenhada.”
Para Lúcia Maria Pires, moradora de Riacho Fundo II o ano mal começou e já está preocupada com a possível greve, sem contar  com a  falta de professores. “  Ano passado faltaram professores de  algumas matérias por tempo considerável. Este ano minha filha vai fazer o terceiro ano e se houver greve, como ela vai enfrentar a terceira etapa do PAS?“
Washington Dourado cita a falta de professores um dos problemas de todo início de ano. Ano passado a Secretaria de Educação só convocou 350 professores concursados e zerou o banco de contrato temporário. “Este ano, com o aumento do número de aluno na rede, o número de carências a serem supridas será bem maior”, adianta Dourado.
Karina Alves , professora, desabafa: “ Entra governo e sai governo e a educação não é vista como prioridade. As condições de trabalho são péssimas e o salário é o menor se comparado com as outras categorias com curso superior.”
Ontem pela manhã foi sancionada pelo Governador,  a  Lei que estrutura a Gestão Democrática nas escolas públicas do DF , projeto de Lei nº 164/11 aprovado por unanimidade pela Câmara Legislativa. As eleições para diretores e vice-diretores de escolas devem ocorrer daqui a180 dias. Portanto, as 649 do Distrito Federal terão os seus dirigentes escolhidos pela comunidade escolar (professores, funcionários, alunos e pais de alunos). Qualquer servidor da área de Educação poderá se candidatar, desde que tenha graduação. Toda comunidade escolar pode votar também, mas alunos acima dos 13 anos e se for menor , votarão seus pais ou  responsáveis. A Gestão Democrática prevê a autonomia para as escolas que vão gerenciar os recursos recebidos e fiscalizados pelo Conselho Escolar.
Para o secretário de Educação, Denilson Bento da Costa este é um momento histórico. "Não podemos pensar uma educação limitada e formulada por meio de um só gestor. É preciso abrir a interlocução entre comunidade e Estado, com disposição entre os dois lados para que possamos dar norte à melhor maneira de educar”, comemora.
Rosilene Correa, diretora de Imprensa do Sinpro, lembra que hoje será realizado um ato, no Setor Leste, escola localizada na L2 Sul, quando o sindicato estará recepcionando alunos e professores como marco da contagem regressiva para o indicativo de greve do dia 8 de março. A assembléia no próximo mês será realizada às 9h, na Praça do Buriti.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação, as carências  foram supridas pelo retorno de professores que estavam lotados em outros órgãos e convênios. Retornaram às salas de aulas 1.900 professores. Ainda, a Secretaria se antecipou e já começou a contratar dois mil educadores por Contrato Temporário. Faltarão, segundo a assessoria, aqueles professores que ficaram doentes ou estão em tratamento médico de última hora. Afirma que as negociações com a categoria estão fluindo e há ganhos a se notar.  Um exemplo é a Eape (Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação) que abriu cursos de licenciatura curta para professores normalistas que ainda são em torno de 800 e cursos de licenciatura plena. Isso garante para a categoria ascensão profissional e ganhos salariais. Mesmo com o aumento de ingresso de alunos na rede que foi em torno de 8% a 10% este ano, não vão faltar professores.


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